terça-feira, 30 de novembro de 2010

Velhitice Aguda

Ultimamente eu ando tendo sintomas críticos de velhitice aguda (para velhitice, entenda-se velhice + chatice). E talvez pela proximidade do meu último niver na casa dos 20, eu esteja um pouco mais pensativa sobre o quanto eu ando chata. Mas o pior de tudo é que eu curto minha chatice, sempre curti! Entretanto, minha chatice é uma chatice positiva. Não chego ao limite de ser super sistemática, como minha boa e velha mãe, mas sou bem ‘preto no branco’, sem meios termos!

Sou assim pra mentiras, por exemplo. Não vou lhe garantir que sou a pessoa mais correta e sincera do mundo, mas tento evitar aquela rotina diária de uma mentirinha ali, outra acolá... A mentira vem, parece quase inofensiva, daí quando você se dá conta está inventando aquela mentira diária sobre seus atrasos no trabalho para o seu chefe, mentindo pro seu namorado sobre um encontro casual com aquele gato, cantando vantagem excessiva pros seus amigos e por aí vai.

Sinceramente, creio que nos tempos atuais é preciso fazer um esforço pra não cair no esquema “uma mentirinha não faz mal”. E tem que ser assim pra tudo! Para drogas, para fidelidade, para postura moral... E lá em casa a gente tem o exemplo-mór de "preto no branco”: minha irmã caçula! Outro dia minha mãe teve que omitir o horário que iria chegar em casa pra ela, porque se falasse, minha irmã não saberia mentir ou omitir para aqueles amigos de plantão que adoram fazer visita no domingo à noite, mas ligam antes avisando. Foi cômico! Pior ainda foi quando um ex-namorado da minha irmã do meio ligou lá em casa num sábado à noite e perguntou pra caçula onde estava a do meio. Ela foi rápida e direta: Foi pro pagode! Fim da história: mais uma filha sem genro pra minha mãe!

Você pode achar careta, brega ou destoado da atualidade, mas eu acho que é assim que devemos ser: corretos, firmes. E a recompensa maior é quando encontramos gente assim pelos caminhos da vida. E por incrível que pareça ando esbarrando com um monte desses! E quero me rodear ainda mais desses amigos, cada um na sua devida medida, mas todos chatos como eu!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Status: Ausente

Não vou gritar aos quatro cantos, mas mudanças profundas estão por vir. Por enquanto, em andamento somente aqui na minha cabecinha. E antes que elas se tornem visíveis a todos, elas têm que se cristalizar dentro de Marianinha. Isso explica um pouco a ausência por aqui... Os temas sobre o que escrever estão infectados pelos reais motivos destas mudanças vindouras, minha cabecinha não consegue funcionar regularmente.  Vou tentar separar alhos de bugalhos, mas acho que não vou conseguir. Ou até talvez falar sobre esses reais motivos da mudança seja interessante... Mas isso eu sei que não consigo. Eu mesma me impressiono com a minha capacidade de esconder dor, de me convencer que nada disso é tão sério e que, como disse minha mãe quando eu liguei pra ela em um dia crítico: ‘existe coisa pior na vida!’. Course, mammy, é tudo o que eu precisava escutar!

Mas acho que escrever sobre essas ‘ladainhas’ aqui não seja tão útil. Talvez seja a hora de voltar para as sessões com psicólogo. Afinal, não sejamos hipócritas: ninguém quer ouvir os problemas dos outros!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Da série ‘Lembranças Musicais’

Hoje passei o dia escutando Gal, Bethânia, Chico, Alcione... Enfim, todos estes foram herança musical da minha mãe. Já fui acordada muitas vezes pela voz forte da baiana cantarolando pela casa. Ela canta meio sem ritmo, estica demais as palavras, fecha os olhos enquanto canta e lembra-se de algo que só ela deve lembrar... D. Ivanete é uma figuraça! Sem dúvida a pessoa mais correta e mais sensata que eu conheço. Uma das músicas que mais me vem à memória com a voz de mainha é ‘Gostoso Veneno’, da Bethânia: ‘Tô com saudade de tu, meu desejo... Tô com saudade do beijo e do mel... Do teu olhar carinhoso, do teu abraço gostoso, de passear no teu céu’. E por incrível que pareça esta música não me remete a algo romântico. Lembro perfeitamente que minha mãe cantava essa música pra minha irmã caçula, quando criança. Pegava no rostinho dela, olhava nos olhos e ia: ‘Tô com saudade de tuuuuu, meu desejo’. E a miúda fazia uma carinha de quem não estava entendendo nada... Era lindo! Juntando a voz de mainha, a melodia, o jeitinho da Niza, a eterna caçula bebê... Lembrança linda... Inesquecível!

Outra música que muita gente liga à relação de um casal, mas que na verdade é uma declaração de amor entre amigos é ‘All Star’ do Nando Reis. E essa não tem outro destino na minha memória: Eu a canto, a escuto... e troco partes da letra: ‘Estranho seria se eu não me apaixonasse por você... Estranho é pensar que o bairro... do Cascatinha, satisfeito sorri, quando chego ali...’ Pra quem não entendeu, Cascatinha é um bairro da minha querida Juiz de Fora, e a pessoa pela qual seria estranho caso eu não tivesse me apaixonado só pode ser uma: Bruno! A letra é perfeita pra nós dois... Guardo um momento nosso para cada parte da música: ‘Não vejo a hora de te encontrar e continuar aquela conversa que não terminamos ontem e ficou pra hoje’. Aqui eu me lembro da nossa última conversinha ao vivo, da janela de um tal apartamento, no horizonte as luzes de Juiz de Fora à noite... Catarse total! Chorei um monte com as palavras dele, que sabe exatamente como falar ao meu coração, que sabe me ouvir, que entende o que se passa aqui dentro... Depois daquela conversa, retoquei a maquiagem e fomos pra um bar. E lá tocou ‘All Star’, com uma banda ao vivo. Expliquei pra ele que aquela era uma música de amizade, feita pelo Nando Reis pra Cássia Eller. Abracei-o forte, cantarolei no ouvido dele... e chorei, claro! Momento único. Só perde para o chororô do dia da formatura dele, que caiu no dia do meu aniversário, no ano passado. Alias, tem também uma conversa debaixo da árvore em frente a minha casa no Rio, outra conversa no banco da Praça de Chiador em um réveillon remoto... Enfim, não dá pra elencar a mais marcante! Vindo do Bruno, tudo é marcante!

Eu te amo, amigo! Feliz 30 anos!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sobre Saudade

(Lindo texto escrito por um amigo lindo, Luiz Lopasso. Adorei! Profundo e extremamente poético!)

Eu tenho saudade de coisas que eu nem mesmo sei às vezes.
Tenho saudade de sensações, cheiros e visões de pessoas que nem sei ao mesmo se existem ou um dia chegaram a passar pela minha vida.
Ás vezes um momento no tempo me traz lembranças de que eu nem deveria ter vivido ou lembrado... Sinto que quase que sempre há um limite tênue entre o real e o imaginário-irreal. Ou quem sabe surreal?
Sinto saudade daquele tempo em que aquele menino podia brincar despreocupado, com o pé no chão e a cabeça na lua.
Saudade de poder chegar em casa, depois da escola, e tomar café assistindo tv e tendo que lembrar que ainda tinha dever de casa pra fazer e que se não fizesse certamente ia levar bronca no outro dia.
Fico triste em saber que com o tempo, os presentes de natal vão diminuindo e as pessoas que os davam também acabam sumindo da sua vida, mesmo que achasse injusto isso acontecer... São coisas da vida!
É nostálgico lembrar-se dos laços eternos de amizade... É difícil lembrar que durante o tempo eles foram puindo e que alguns não deram pra remendar e simplesmente se soltaram.
Os amores que foram e vieram diversas vezes... Hoje tenho saudade da sensação de frio na barriga do início e até do sofrimento do fim.
Saudade sinto, até do tempo em que eu achava que tudo o que tinha na vida duraria para todo o sempre.
Saudade das gargalhadas sinceras... Não sabia que um dia elas tornar-se-iam gargalhadas amarelas, amargas e forçadas.
Saudade de achar que o iria ver chaves jogado no sofá da sala pra sempre.
Saudade de chorar porque caí na rua e ralei o joelho (é, mal sabia que havia motivos maiores depois que me fariam chorar e muito mais.).
Saudade até dos medos que criança tem: repetir o ano, levar palmada, quebrar um brinquedo caro... (pois é! Os medos foram igualmente proporcionais conforme a idade foi aumentando).
Saudade de quando meu mundo cabia numa pequena caixa preciosa e que podia mexer sempre que quisesse nela, pois o meu mundo quem fazia era eu, apenas eu e ponto final.
Hoje, meu mundo é tão grande e tem tanta gente dentro dele que se eu fizer como quero, poderei machucar quem não deve, e não, nunca pôr um ponto final fazendo valer minha vontade apenas.
Tenho saudade de ser quem eu nunca fui, para que um dia eu não possa ter nada para lembrar e com isso não poder sentir culpa ou vergonha por ter feito algo que eu não faria se fosse eu mesmo hoje.
Saudade tenho sim dos anjos que um dia puderam me dizer o que fazer e como agir... Se soubesse que eles iriam tão cedo embora da minha vida teria dito mais vezes que acreditava neles e que queria que eles continuassem a me guiar.
Sinto falta de algo que nunca fui ou de algo que nem sei se vou ser, mas sinto mesmo assim falta, sinto saudade e sinto que nem poderia sentir isso!(Risos.).
Dou-me conta que alguns fragmentos de vida se perderam... Coisas que não queria esquecer, mas com o tempo, inevitavelmente foram se apagando lentamente até virar pó e voar com o vento e com o vento irem para bem longe, sabe-se lá para onde, sabe-se lá para quem. E se esse “quem” pegá-las? O que ele fará?
Tenho saudade de quando o elo da corrente era novo e não arrebentava. Mas o tempo passou e o elo se oxidou e rompeu e para juntar de novo deu tanto trabalho que ficou junto do jeito que deu... E não deu em nada! Não uniu... Apenas juntou.


domingo, 19 de setembro de 2010

Admiração

Há dois meses estou assistindo um curso no MASP com o Rodrigo Queiroz, professor da FAU USP, sobre o tema que lhe é muito peculiar: Niemeyer, óbvio! Mas por que alguém que estuda arquitetura há 10 anos, gratuitamente, paga um curso sobre o arquiteto vivo mais clichê deste mundo? Vou confessar: em toda minha jornada só assisti uma única aula sobre Niemeyer e foi com o próprio Prof. Rodrigo, em uma disciplina na FAU do Prof. Segawa. E confesso também que nunca fui uma defensora fervorosa do Oscar (como o Prof. Rodrigo chama o coroa centenário!), apesar de ser carioca e já ter passado pela escola carioca da FAU UFRJ. Mas o que me atraiu no curso não foi o tema propriamente, mas sim a forma como o Prof. Rodrigo ministra suas aulas e palestras, como ele fala do Oscar de uma forma que faz tudo ter sentido. Pra quem achava que tudo no Niemeyer era gratuito, que todas aquelas curvas remetiam à mulher e aos morros das Minas Gerais e do Rio, até que consigo agora ler a ‘capacidade pedagógica’ na cronologia arquitetônica do Oscar e a ‘dimensão simbólica’ de suas obras. Deixei o preconceito de lado e vejo Niemeyer com outros olhos. Não vou dizer que é o cara que mais admiro e nem que suas obras são as melhores, esteticamente e funcionalmente. Óbvio que não (sim, a FAU USP me contaminou!), mas conhecer sua obra detalhadamente, como fez o Prof. Rodrigo, é um trabalho árduo e gratificante, imagino. E o discurso, a retórica, os adjetivos bem encaixados, a analogia não-óbvia que faz o Professor nas suas aulas, isso sim que eu admiro de verdade! Que fique aqui registrada minha admiração por mais um professor da escola, assim como tenho pelo Hugo Segawa, pelo Marcos Acayaba, pelo Alexandre Delijaicov, pela Regina Meyer, pelo Milton Braga e por aí vai...

Na penúltima aula no MASP, o Prof. Rodrigo comentou sobre a busca, tanto do Oscar como do Corbusier, pela ‘obra da sua vida’. E aqui eu deixo uma pergunta (leia-a e encare-a de forma genérica e ampla): “E aí, arquiteto (ou não), qual vai ser a obra da sua vida?”