Acabei de chegar (já são 2h30 da madruga, cheguei às 23h30.. rs) de um debate no Museu da Casa Brasileira sobre os outros planos do concurso para Brasília. Muito interessante, inclusive. Nunca tive aula sobre os demais finalistas, apesar de ouvir muito falar na FAU sobre o projeto do Rino Levi, que era o melhor e tudo mais... Mas acho que é mais uma do bairrismo paulista. Na mesa, arquitetos participantes da ocasião do concurso: Jorge Wilhein, Pedro Paulo de Mello Saraiva, Marcio Roberto (filho de um dos Irmãos Roberto). Na platéia, além de Marianinha, nosso charmosíssimo professor Milton Braga, a mestre do paisagismo, Rosa Kliass e por aí vai. Eu, como sempre muito intrometida, me sinto muito bem ao lado desses cartolas, não me incomodo nem um pouco. Ouso até dizer que eu nasci pra isso mesmo, para colocar minha estrelinha no meio dessa constelação. Não sou falsa modesta não! Nunca escondi que eu sou ambiciosa, não no sentido pejorativo, mas no que diz respeito a querer sempre o melhor pra mim.
E é engraçado como eu olho para trás e reflito sobre as reais chances que eu tinha de me dar bem na vida. Não falo de grana, poder, nada disso! Falo de matar minha curiosidade, só isso. Porque foi só isso que eu fui, curiosa! No mais, não tenho nenhuma diferença dos meus primos queridos cariocas, que já formaram família, tem filhos, tem emprego para tocar a vida, gostam de cerveja barata e futebol... Fora isso, só a curiosidade. E foi ela que me fez sentar, ter paciência e estudar, porque eu não podia morrer sem pelo menos tentar!
E justamente qundo eu estou no meio dessa constelação toda que me cerca, é que eu me camuflo de "menina que teve berço". Claro que educação dentro de casa eu sempre tive, mas estou falando de outro berço. Outro dia, em uma conversa com um professor da FAU, ele mencionou alguns tipos de habitação que existem na periferia de Nova York: "Você sabe aqueles sobrados novaiorquinos? Aliás, você já foi lá certo? Mas como não?!" Me perguntei depois: Porque ele se espantou com o fato de eu nunca ter ido à Nova York? A resposta é a mais sincera: Eu tenho fala, pose e postura de quem já viajou o mundo. Mais sincera ainda: Tenho cara de rica! É fato. Por várias ocasiões eu percebi que os outros lidavam comigo como se eu fosse da elite intelectual e financeira. E também já vi muita cara de decepção quando alguém descobre o contrário sobre mim! Seria cômico se não fosse trágico!
E sobre o debate de hoje, na minha frente haviam dois rapazes. Eu já viciada em detectar os tipinhos dos estudantes de arquitetura, não imaginava que eles o fossem. Quando o debate abriu ao público, um dos rapazes levanta o braço e faz uma pergunta, mas antes se apresenta: estudante de arquitetura da São Judas, 3º ano. E eu não escondo que me surpreendi por eles serem estudantes de arquitetura. Sim, não sou hipócrita! Acho que de tanto sofrer vendo as caras tortas dos meus colegas quando eu falo que sou do subúrbio do Rio, que nunca saí da região sudeste e, muito menos, Nova York, acabei me camuflando e virando um personagem. E hoje eu me vi em um espelho e, sim, me surpreendi. E voltei para casa pensando em me despir dessa máscara intelectual, que não é proposital, é quase automática depois de tantos anos de curiosidade no meio dessa realidade, que não é a minha e nunca vai ser, porque eu nem espero e nem desejo que assim seja!
Só vim aqui por curiosidade! Só vim saber das novidades! De resto, quero mais é sentar em um boteco em uma esquina carioca e tomar uma cerveja gelada e barata com meus primos.
curvas da estrada Rio-São Paulo, diário de obra e de vida, ecos inquietantes de quem vive da arquitetura mas não sabe bem arquitetar sua vida...
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Chega de Saudade...
Não, não é a música do Tom Jobim e do Vinicius. O título acima é para dar um basta nesta rotina de só sentir saudade. Completam-se cinco anos que eu sacudi a poeira e resolvi virar esse mundo atrás de um lugar só meu pousar de vez e, desde então, eu só sei venerar e admirar aquilo que ficou para trás. Tudo que não está aqui perto é melhor, é mais bonito, é mais feliz, mais fácil, mais convidativo. Acredito que este “vício” não seja tão raro, outras pessoas também devem padecer deste mal: a Nostalgite Aguda!
Verifique seus sintomas: Se para você os melhores e verdadeiros amigos são aqueles que estão a quilômetros de distância ou então são aqueles que você nem tem mais tempo nem dinheiro para encontrar, ou são amigos que atualmente têm uma rotina tão diferente da sua que, pensando bem, talvez você nem queira encontrar pessoalmente... Está aí um forte sintoma da Nostalgite Aguda.
Mais sintomas: Se depois de um dia corrido, você relaxa e lembra como era bom aquele lugar, naquela época remota, com aquele clima agradável, ao lado daquelas pessoas felizes e como você conseguia sobreviver com aquela merreca de dinheiro... E ao fim, suspira: Eu era feliz e não sabia! Agora é fato: seu mal está em um estágio avançado!
E o mais grave dos sintomas: Se depois de “conhecer” pessoas interessantes pelas esquinas da vida, você sempre conclui na manhã seguinte que queria mesmo era acordar nos braços daquela sua “ex-pessoa” de 17 anos atrás... Porque só ela sabe do que você realmente gosta, só ela iria ao altar com você, só ela te deixa à vontade para ser o que você é, só ela palitava os dentes na sua frente, só ela roncava afinado e só ela ia ao banheiro de porta aberta sem a menor cerimônia... Meu caro, vá se tratar com urgência!
Convenhamos, este é o jeito mais fácil de encarar a vida! Tudo que está lá trás, é muito melhor do que aquilo que você tem hoje e, por isso, para que empenhar-se, batalhar, suar a camisa se o que virá no decorrer do dia sempre será pior do que foi ontem? Medicação para a Nostalgite Aguda: Acorde, olhe para o seu rosto amassado pelo tempo, capriche no make-up, solte os cabelos, tome aquela dose diária de otimismo e encare o hoje, meu bem! Nem o ontem, nem o amanhã, hoje você só terá a responsabilidade sobre o hoje. Parece fácil? Você sabe que não é.
Baía de Guanabara a leste
Continuo à procura do nascer do sol paulistano. Enquanto isso vemos aí o subúrbio carioca às 6h e pouco da matina.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Em busca do post de cada dia
Não é fácil ter um blog. A menos que ele seja de fato seu diário virtual, o que eu não desejo. Eu sei que é impossível ser totalmente impessoal em um blog, até porque eu não sou jornalista, nem escritora, nem nada! Mas estou me empenhando, tentando achar um traço do talento de papai em mim!
Confesso que isso aqui é mistura de ânimo e angústia. Como não tenho obrigação profissional de ser uma exímia escritora, fico muito mais entusiasmada para escolher um tema para o próximo post. É como se obrigação e criatividade fossem inversamente proporcionais! Fico navegando de blog em blog, mesmo nos desconhecidos, para sentir o que rola por aí.
Em contrapartida, é mais uma angústia para enfileirar na prateleira do quarto. Não sei se é somente uma empolgação de início, mas agora passo o dia atenta às conversas, ao que escuto, ao que falo, ao que vejo, ao que sonho... Como se a qualquer momento viesse uma dica, um sinal do que escrever logo mais. E quando não vem durante o dia, ponho a cabeça no travesseiro à noite e repasso todo o dia à procura do que eu deixei passar! Foi o que aconteceu ontem: deitei, repassei o meu dia e pensei: Amanhã irei escrever sobre a busca do post de cada dia!
Não sei se os escritores são tão angustiados assim, mas isso deve ser um sintoma natural de principiante. Vou me adaptar à nova jornada. Mas não reclamo. E espero não decepcionar quem se propuser a ler meus escritos por aqui! “Vamu que vamu”! Bom dia a todos.
Confesso que isso aqui é mistura de ânimo e angústia. Como não tenho obrigação profissional de ser uma exímia escritora, fico muito mais entusiasmada para escolher um tema para o próximo post. É como se obrigação e criatividade fossem inversamente proporcionais! Fico navegando de blog em blog, mesmo nos desconhecidos, para sentir o que rola por aí.
Em contrapartida, é mais uma angústia para enfileirar na prateleira do quarto. Não sei se é somente uma empolgação de início, mas agora passo o dia atenta às conversas, ao que escuto, ao que falo, ao que vejo, ao que sonho... Como se a qualquer momento viesse uma dica, um sinal do que escrever logo mais. E quando não vem durante o dia, ponho a cabeça no travesseiro à noite e repasso todo o dia à procura do que eu deixei passar! Foi o que aconteceu ontem: deitei, repassei o meu dia e pensei: Amanhã irei escrever sobre a busca do post de cada dia!
Não sei se os escritores são tão angustiados assim, mas isso deve ser um sintoma natural de principiante. Vou me adaptar à nova jornada. Mas não reclamo. E espero não decepcionar quem se propuser a ler meus escritos por aqui! “Vamu que vamu”! Bom dia a todos.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Esses amigos...
São Paulo, 17 de maio de 2009.
Ontem eu tive um sonho preocupante. E veja que meus sonhos são quase reais. Sonhei com uma amiga que não vejo e não falo há mais de dois anos. Sou madrinha de casamento dela e também é uma amiga da época de escola, dos meus 16 anos. Sonhei então que Patrícia tinha se separado e que já era mãe! Na verdade, o sonho espelha a minha preocupação em contatá-la e saber de uma dessas “novidades”. À noite, tomei vergonha, e liguei para ela. Parecia que a gente tinha se falado há uma semana. E não havia nenhuma das novidades.
Outro dia li uma algo que dizia que enquanto os dias demoram em acabar, os anos passam voando. É verdade. Como é difícil tomar a noção temporal da passagem de um ano. E de dois ou cinco ou dez anos. Na escala do ano, tudo é muito difícil de perceber, de notar diferenças. Pelo menos para mim. E quando se trata de amigos distantes, parece que fica ainda mais notório. Mas não tome esta afirmação como desculpa para procurar seus amigos a cada dois anos! Falo por experiência própria.
Outro dia, no Orkut, achei uma “coleguinha” minha de infância, da época do primário do colégio IACI, em Brás de Pina. Viviane era uma menina lá do bairro, humilde, vivia com a sua avó, mas, assim como eu, teve a sorte de estudar em um colégio particular. E pelo Orkut, então, vi que ela já havia casado, separado e tinha uma menina. E ficamos pelo Orkut mesmo. Uma ou outra conversa no MSN e mais nada. E assim somos, pelo menos eu sou, com a maioria dos amigos que reencontro por lá. Fico pensando que valeria muito á pena reencontrá-la. Nesse mundo onde as novas amizades que surgem são sempre duvidosas, nada como resgatar aquelas das quais sabemos (ou pelo menos, sabíamos) que são de verdade.
E assim eu posso listar aqui uma dezena ou mais desses amigos que vão se perdendo, e dos quais a maioria não está no meu Orkut – como a Patrícia. E, os que estão no Orkut, parecem que estão fadados ao esquecimento total, é quase um carimbo de “nos conhecíamos e não nos conhecemos mais!”. Talvez se a Patrícia estivesse no meu Orkut, eu não ligaria para ela naquela noite. E não preciso aqui dizer a enorme diferença que tem em deixar um scrap e ouvir a voz daquele amigo. Incomparável.
Por isso, hoje, domingo, eu tomo a decisão de ligar para os meus amigos nos aniversários e quando bem entender também. E de fazer um esforço para revê-los para reavivar a amizade. Não somos nada sem amigos, próximos ou distantes, ao vivo ou pelo telefone, nada paga o preço de uma boa amizade. Talvez eu tenha amanhecido um pouco mais nostálgica hoje, mas que sirva para que não mais os anos passem voando, quando se fala de amigos.
Só para deixar registrados os amigos que estão por aí e não estão meu Orkut (e acredite: não estar no Orkut é um bom sinal!): Renatinha, também do IACI; Morgana, do N. S. das Graças; Néia, de Penha Longa; Silvinha, do ABC do Pezinho; Kátia, do Penha Shopping e outros mais...
Ontem eu tive um sonho preocupante. E veja que meus sonhos são quase reais. Sonhei com uma amiga que não vejo e não falo há mais de dois anos. Sou madrinha de casamento dela e também é uma amiga da época de escola, dos meus 16 anos. Sonhei então que Patrícia tinha se separado e que já era mãe! Na verdade, o sonho espelha a minha preocupação em contatá-la e saber de uma dessas “novidades”. À noite, tomei vergonha, e liguei para ela. Parecia que a gente tinha se falado há uma semana. E não havia nenhuma das novidades.
Outro dia li uma algo que dizia que enquanto os dias demoram em acabar, os anos passam voando. É verdade. Como é difícil tomar a noção temporal da passagem de um ano. E de dois ou cinco ou dez anos. Na escala do ano, tudo é muito difícil de perceber, de notar diferenças. Pelo menos para mim. E quando se trata de amigos distantes, parece que fica ainda mais notório. Mas não tome esta afirmação como desculpa para procurar seus amigos a cada dois anos! Falo por experiência própria.
Outro dia, no Orkut, achei uma “coleguinha” minha de infância, da época do primário do colégio IACI, em Brás de Pina. Viviane era uma menina lá do bairro, humilde, vivia com a sua avó, mas, assim como eu, teve a sorte de estudar em um colégio particular. E pelo Orkut, então, vi que ela já havia casado, separado e tinha uma menina. E ficamos pelo Orkut mesmo. Uma ou outra conversa no MSN e mais nada. E assim somos, pelo menos eu sou, com a maioria dos amigos que reencontro por lá. Fico pensando que valeria muito á pena reencontrá-la. Nesse mundo onde as novas amizades que surgem são sempre duvidosas, nada como resgatar aquelas das quais sabemos (ou pelo menos, sabíamos) que são de verdade.
E assim eu posso listar aqui uma dezena ou mais desses amigos que vão se perdendo, e dos quais a maioria não está no meu Orkut – como a Patrícia. E, os que estão no Orkut, parecem que estão fadados ao esquecimento total, é quase um carimbo de “nos conhecíamos e não nos conhecemos mais!”. Talvez se a Patrícia estivesse no meu Orkut, eu não ligaria para ela naquela noite. E não preciso aqui dizer a enorme diferença que tem em deixar um scrap e ouvir a voz daquele amigo. Incomparável.
Por isso, hoje, domingo, eu tomo a decisão de ligar para os meus amigos nos aniversários e quando bem entender também. E de fazer um esforço para revê-los para reavivar a amizade. Não somos nada sem amigos, próximos ou distantes, ao vivo ou pelo telefone, nada paga o preço de uma boa amizade. Talvez eu tenha amanhecido um pouco mais nostálgica hoje, mas que sirva para que não mais os anos passem voando, quando se fala de amigos.
Só para deixar registrados os amigos que estão por aí e não estão meu Orkut (e acredite: não estar no Orkut é um bom sinal!): Renatinha, também do IACI; Morgana, do N. S. das Graças; Néia, de Penha Longa; Silvinha, do ABC do Pezinho; Kátia, do Penha Shopping e outros mais...
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